ONU-Habitat inicia avaliação de espaços públicos de Foz do Iguaçu e Ciudad del Este

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Até meados de julho, o Programa das Nações Unidas para Assentamentos Humanos (ONU-Habitat) realizará avaliação dos principais espaços públicos de Foz do Iguaçu e Ciudad del Este. A ação faz parte do projeto Conexões Urbanas, que está sendo desenvolvido em regiões fronteiriças do Brasil, Paraguai, Argentina e Líbano e que tem como foco o planejamento de espaços públicos para comunidades inclusivas. Na América Latina, será aplicado nos seguintes grupos de cidades: Foz do Iguaçu (Brasil) e Ciudad del Este (Paraguai) e também Barracão, Bom Jesus do Sul, Dionísio Cerqueira (Brasil) e Bernardo de Irigoyen (Argentina).

Em Foz do Iguaçu, foram escolhidos 26 espaços públicos – entre praças e parques – do Centro e dos bairros Porto Meira, Três Lagoas e região de Itaipu. Já em Ciudad del Este, as 24 áreas selecionadas foram a região central, a Costanera Acaray e os bairros Dom Bosco, San Izidro e Ciudad Nueva. A escolha dos espaços contou com o apoio técnico das prefeituras e levou em consideração sua relevância para as cidades.

De acordo com Luciano Stremel Barros, Presidente do Instituto de Desenvolvimento Econômico e Social de Fronteiras (IDESF), há uma necessidade de adequar os espaços urbanísticos em cidades de fronteira para que acolham a todos. A cidade de Foz do Iguaçu, por exemplo, tem diferenciais importantes, que além de ser um dos pólos turísticos mais importantes do mundo, possui um potencial de crescimento de atrativos urbanos que ainda não é explorado. “Na cidade há diversos rios e espaços urbanos subutilizados ou até inacessíveis que podem ser locais de visitação e preservação como atrativos urbanos e turísticos. Necessitamos de encaminhamentos para os projetos de revitalização e aproveitamento desses espaços”.

Paulo Angeli, Secretário de Turismo, projetos estratégicos e inovação de Foz do Iguaçu, reforça: “Nós não temos espaços públicos principalmente para interação entre moradores e turistas. Um ótimo exemplo seria proporcionar maior uso ao Rio Paraná para ocupação turística, ter todo um equipamento de contemplação e de gastronomia, mesmo que inicialmente envolva apenas um trecho do rio. Seria uma excelente oportunidade do ponto de vista ambiental, de segurança, de marketing do destino e etc. Os espaços que são bons para a população com certeza também serão para os turistas”.

As praças e os parques que estão sendo analisados pela ONU-Habitat levam em conta a acessibilidade, as instalações físicas, o conforto, a segurança, o verde, os tipos de usos e perfil dos usuários. A avaliação consiste na aplicação de questionários eletrônicos em dois momentos distintos. O primeiro é uma visita ao local – na qual são observados aspectos técnicos – e, posteriormente, uma entrevista com uma pessoa usuária de cada espaço público.

Os dados coletados serão compilados e estruturados em mapas e gráficos de indicadores que permitirão verificar quais aspectos são prioritários para requalificação e quais áreas da cidade são carentes de espaços públicos. “Desta forma, esperamos consolidar uma base de evidências que subsidie o desenvolvimento de estratégias e políticas urbanas de curto a longo prazo, visando a oferta de espaços públicos seguros, acessíveis e inclusivos”, explica a coordenadora do projeto em Foz do Iguaçu/ Ciudad del Este, Adriana Brandt.

O trabalho também tem sido realizado por meio de oficinas com servidores de Foz do Iguaçu e estudantes de arquitetura com o objetivo de coletar contribuições sobre os espaços públicos da cidade. No dia 30 de junho, uma oficina similar acontecerá para a equipe técnica da prefeitura de Ciudad del Este.

Ao longo de dois anos (2022-2023), o projeto vai promover escutas da população e atores locais, realizar oficinas com autoridades e lideranças dos territórios, elaborar um diagnóstico dos espaços públicos a partir de metodologias participativas e revisar políticas migratórias e urbanas.

Com base nos diagnósticos e na participação da população, será apresentada uma proposta de projeto de requalificação para um espaço público que seja relevante para cada grupo de municípios, além de realizar recomendações de políticas públicas para a rede de espaços. Também estão previstos eventos e oficinas regionais e internacionais com o objetivo de promover o intercâmbio de experiências e boas práticas entre as cidades participantes do projeto.

*Com informações da ONU-Habitat Brasil

Crédito da foto: Sabrina Albuquerque

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