Por: Dr. Tássio Franchi, Professor da Eceme e Pesquisador Sênior Visitante da King’s College London
Texto originalmente publicado em: https://www.kcl.ac.uk/from-ukraines-trenches-to-south-americas-borders-and-favelas-criminal-organizations-use-of-one-way-attack-drones
Tradução livre
Durante a aproximação para desembarcar tropas, um helicóptero Black Hawk é atingido por um drone FPV (First Person View) que carrega um artefato explosivo. A aeronave cai, ferindo parte dos militares a bordo e destruindo a fuselagem. A cena não aconteceu na Ucrânia, nem nos países próximos ao Estreito de Ormuz: aconteceu na Colômbia, em 2026. Não foi um ataque isolado, mas uma nova realidade que hoje confronta as forças de segurança pública e as forças armadas da América do Sul. Na Colômbia, o Serviço das Nações Unidas de Ação contra Minas (UNMAS) mostra em relatório que os ataques com drones saltaram de 61 em 2024 para 333 em 2025, um aumento de 445%. De onde vêm esse salto de capacidade técnica e esse aumento na escala dos ataques? Uma hipótese que merece atenção crescente aponta para um lugar improvável: a linha de frente ucraniana.
Há um volume crescente de pesquisas sobre a adaptação ucraniana e sobre como organizações civis, militares e privadas se reorganizaram durante a guerra. Pesquisadores e formuladores de políticas buscam compreender como a Ucrânia se reinventou para enfrentar os desafios da guerra contra a Rússia, a fim de levar esse conhecimento para seus próprios países. Ao mesmo tempo, ensaios teóricos apontam o que os países emergentes precisam examinar para repensar suas políticas nacionais de defesa e reestruturar suas forças armadas, como argumentam Vinicius Mariano de Carvalho e Jackson Schneider em seu próprio texto para o King’s College London, A Realistic Defence for Emerging Countries. Mas há outro lado nessa transferência de conhecimento. Ela acontece de forma mais silenciosa, das trincheiras para as florestas, as vilas rurais, as favelas e outras periferias das cidades sul-americanas.
O uso de drones como ferramenta complementar de vigilância por grupos do crime organizado transnacional (COT) já está bem estabelecido. A novidade é o uso crescente de drones como armas. Estudos recentes, entre eles o relatório de 2024 da Global Initiative Against Transnational Organized Crime, The Hard Return, mostram como veteranos, conhecimento e armas estão saindo gradualmente da Ucrânia para o resto do mundo. Na Colômbia e no México, a incorporação dessa nova capacidade já é concreta, e dados objetivos da UNMAS Colômbia mostram um aumento no uso de drones contra as forças de defesa e segurança do Estado. No Brasil, essa realidade ainda aparece de forma mais tímida, com casos registrados principalmente nas favelas do Rio de Janeiro, onde facções usaram drones para monitorar rivais e lançar explosivos sobre eles. O uso de drones para monitorar as forças de segurança é mais difundido no território brasileiro como um todo, com registros desse tipo de emprego em favelas e em áreas mais isoladas, como rios, rodovias e cabriteiras que cruzam as fronteiras terrestres, ou ao longo de rotas usadas para o transporte de mercadorias ilícitas.
É provável, contudo, que as forças de defesa e segurança do Brasil acabem enfrentando a ameaça de drones suicidas carregados com artefatos explosivos. Não é improvável que, em pouco tempo, vejamos drones FPV atacando viaturas blindadas da polícia com ogivas de granadas propelidas por foguete (RPG), ameaçando os Pelotões Especiais de Fronteira do Exército na Amazônia e as embarcações de patrulha da Marinha na Baía de Guanabara. Nos próximos anos, as forças armadas precisarão pensar os Veículos Aéreos Não Tripulados (VANTs) não apenas no contexto da guerra convencional de alta intensidade, mas também em termos do uso dessa tecnologia por Atores Violentos Não Estatais (AVNEs). A luta assimétrica entre Davi e Golias que vemos na Ucrânia pode se reproduzir, em escala menor, nas periferias e fronteiras da América do Sul.
A Ucrânia como escola da guerra de drones
A Ucrânia tornou-se um caso de manual para aprender a operar essa nova arma e suas contramedidas. Segundo Honcharuk, a vantagem ucraniana se explica pelo que ele chama de “Domínio do Tempo”: a vitória não vem do controle do espaço, mas da velocidade com que se aprende e se adapta. Enquanto o ciclo de inovação da indústria de defesa europeia leva cerca de três anos, o ciclo de adaptação em combate da Ucrânia leva de três semanas a três meses, como mostrou Honcharuk em estudo publicado pelo LSE IDEAS. O caso da plataforma Brave1, que conecta operadores da linha de frente diretamente a técnicos, engenheiros e startups civis, é emblemático: mais de 1.600 propostas e 186 financiamentos concedidos apenas no primeiro ano de funcionamento, como mostrou a reportagem de Berthelsen. A Ucrânia combate um adversário muito maior e mais forte; precisa ser mais ágil, tanto tática quanto estrategicamente.
Para além das trincheiras, esta não é simplesmente uma guerra de armas baratas ou autônomas, mas uma guerra de aprendizagem acelerada. É essa capacidade de aprendizagem acelerada que faz a balança pender a favor da Ucrânia. Não é o hardware nem o software. É o conhecimento. Esse conhecimento inclui o saber técnico e tático, combinado com a capacidade de se adaptar rapidamente às exigências da guerra. A peça essencial nesse processo é o ser humano, não a máquina.
Um relatório de pesquisa institucional, Crime by Drone, construído a partir de entrevistas diretas com pilotos de drones ucranianos, chega a uma conclusão que vale a pena citar na íntegra: “As consultas a operadores de drones na Ucrânia revelam que a expertise humana continua no centro da capacidade e é um ponto vital de intervenção. Engenheiros, operadores de oficinas, fornecedores de peças e modificadores de firmware são todos vitais para ampliar o uso de drones”. Se o gargalo é a expertise humana, e não a tecnologia, então o problema para os países vizinhos deixa de ser apenas de controle de armas e passa a ser de controle de pessoas.
– Quem são os veteranos das brigadas internacionais e de outros batalhões independentes?
– O que eles aprenderam?
– Que funções exerciam quando foram desmobilizados, após um ou dois anos de serviço?
– Para onde estão indo?
– Estão voltando a seus países de origem ou indo para novos países? Quem os emprega depois que terminam seus contratos a serviço da Ucrânia?
Já há sinais de que a guerra está criando oportunidades de treinamento que organizações criminosas podem explorar. Em outubro de 2025, reportagens indicaram que voluntários mexicanos e colombianos que serviam na Legião Internacional da Ucrânia buscavam exatamente esse tipo de treinamento (fabricação de drones, guerra eletrônica e coordenação do campo de batalha em tempo real) antes de voltar a seus países e ser contratados por organizações criminosas. Drones guiados por fibra óptica já foram encontrados em poder de organizações criminosas mexicanas. Redes sociais como Instagram, YouTube e X estão repletas de perfis de operadores de diferentes nacionalidades que mostram seu dia a dia na guerra e as habilidades que possuem, um portfólio para futuras contratações.
Doutrina (o modo de fazer na linha de frente), pilotagem de drones FPV, medidas antidrone e a capacidade de adaptar peças com impressão 3D já fazem parte das capacidades desses atores. Não se trata mais apenas de um problema de presença territorial na fronteira amazônica, no Chaco ou nos Andes. Cada vez mais, trata-se de um problema de capacidade para enfrentar uma nova realidade tecnológica, com veteranos ou pessoal treinado trazendo, de uma guerra travada no Leste Europeu, a doutrina mais moderna de emprego desses meios.
No Brasil, as evidências ainda são isoladas, mas existem: pelo menos três integrantes do Comando Vermelho foram voluntários na Ucrânia para aprender táticas de guerra. Imagens recentes mostraram um curso de pilotagem de drones oferecido por traficantes e flagrado pela polícia no Rio de Janeiro. Outras imagens mostram que o Comando Vermelho já usa drones agrícolas no valor aproximado de R$ 200 mil para transportar até vinte fuzis em viagens entre diferentes favelas controladas pela facção, evitando as avenidas patrulhadas pela Polícia Militar, como relata Julia Farias em reportagem para a CNN Brasil.
Para países como Argentina, Chile, Bolívia, Brasil e Peru, porém, há ainda um fator externo que merece atenção. O endurecimento da ação dos Estados Unidos contra o narcotráfico e contra os grupos armados dissidentes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) e o Exército de Libertação Nacional (ELN) no Equador e na Colômbia, somado ao emprego das Forças Armadas dos EUA no Mar do Caribe nos últimos meses, forçará o Crime Organizado Transnacional a buscar rotas alternativas para suas drogas, bem como abrigo para suas tropas e integrantes nos países vizinhos.
No Brasil, em agosto de 2026, a Defensoria Pública da União cobrou do governo brasileiro medidas urgentes diante de relatos de grupos armados supostamente ligados a dissidentes das FARC em terra indígena na fronteira com a Colômbia, o que sugere que esse deslocamento já está em curso. O resultado afeta as Forças Armadas, que devem atuar com poder de polícia na Faixa de Fronteira de 150 km, nos termos da Lei Complementar nº 97/1999. Além disso, as operações interagências envolvendo forças de segurança já não são esporádicas, mas cada vez mais rotineiras. Em suma, o emprego das forças armadas em operações na faixa de fronteira, e em operações ao lado de outras agências do Estado brasileiro, já faz parte do cotidiano do país. Essa pode se tornar, cada vez mais, a realidade também dos países vizinhos, à medida que a capacidade militar do Crime Organizado Transnacional é reforçada por conhecimentos adquiridos no exterior.
A diferença importante, desta vez, é que quem atravessa a fronteira pode trazer uma expertise técnica que simplesmente não estava disponível na última grande onda de deslocamentos, no século XX.
Em suma, a guerra na Ucrânia funciona, na prática, como um polo de treinamento, desenvolvimento e difusão do conhecimento sobre a guerra de drones e os sistemas antidrone. Mas essa difusão não ocorre apenas por canais institucionais voltados a países aliados. Ela é dispersa e tem sido absorvida por atores ligados ao Crime Organizado Transnacional. É essencial mapear quem são esses veteranos que retornam e aproveitá-los de forma positiva, seja por meio de programas de reinserção profissional, seja como consultores das próprias instituições desses países, que precisarão se adaptar à nova realidade do uso de drones nas mais variadas tarefas do dia a dia.
Grande parte da discussão sobre as lições da guerra na Ucrânia se concentra no que as forças armadas convencionais precisam mudar. É compreensível: a Ucrânia trava uma guerra convencional de alta intensidade. Mas olhar apenas para as forças armadas traz o risco de ignorar outra lição importante: a rapidez com que atores não estatais conseguem absorver tecnologia, táticas e expertise militares.
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Versão original, em inglês:
From Ukraine’s trenches to South America’s borders and favelas: Criminal organizations use of one-way attack drones
On approach to land troops, a Black Hawk helicopter is struck by a First Person View (FPV) drone carrying an explosive device. The aircraft is brought down, injuring some of the troops on board and destroying the airframe.
The aircraft is brought down, injuring some of the troops on board and destroying the airframe. The scene did not take place in Ukraine, nor in the countries near the Strait of Hormuz,it happened in Colombia, in 2026. It was not an isolated attack, but a new reality now confronting South America’s public security forces and armed forces. In Colombia, the United Nations Mine Action Service (UNMAS) show in a report that drone attacks jumped from 61 in 2024 to 333 in 2025, an increase of 445%. Where does this leap in technical capability, and this rise in the scale of attacks, come from? One hypothesis deserving growing attention points to an unlikely place, the Ukrainian front line.
There is a growing amount of research on Ukrainian adaptation and how civilian, military and private organisations have reorganised during the war. Researchers and policymakers are seeking to understand how Ukraine has reinvented itself to meet the challenges of the war against Russia, to carry that knowledge back to their own countries. At the same time, theoretical essays point to what emerging countries need to examine in order to rethink their national defence policies and reshaping their armed forces, as Vinicius Mariano de Carvalho and Jackson Schneider argue in their own piece for King’s College London, A Realistic Defence for Emerging Countries. But there is another side to this transfer of knowledge. It is happening more quietly, from the trenches to forests, rural villages, favelas and other peripheries of South American cities.
The use of drones as a complementary surveillance tool by transnational organised crime (TOC) groups is already well established. What is new is the growing use of drones as weapons. Recent studies, including the Global Initiative Against Transnational Organized Crime’s 2024 report, The Hard Return, show how veterans, knowledge and weapons are gradually flowing out of Ukraine to the rest of the world. In Colombia and Mexico, the uptake of this new capability is already tangible, with objective data from UNMAS Colombia showing an increase in the use of drones against state defence and security forces. This reality still appears more timidly in Brazil, with cases recorded mainly in Rio de Janeiro’s favelas, where factions have used drones to monitor and drop explosives on rivals. The use of drones to monitor security forces is more widespread across Brazilian territory as a whole, with this type of use reported in favelas and in more isolated areas such as rivers, highways, and “cabriteiras” (dirt tracks) that cross land borders, or along routes used to transport illicit goods.
It is, however, likely that Brazil’s defence and security forces will eventually face the threat of suicide drones carrying explosive devices. It is not improbable that, before long, we will see FPV drones attacking police armoured vehicles with Rocket-Propelled Grenade (RPG) warheads, threatening the Army’s Special Border Platoons in the Amazon, and Navy patrol vessels in Guanabara Bay. In the coming years, the armed forces will need to think about Unmanned Aerial Vehicles (UAVs) not only in the context of high-intensity conventional warfare, but also in terms of the use of UAV technology by Violent Non-State Actors (VNSAs). The asymmetric David-and-Goliath struggle we see in Ukraine could be reproduced, on a smaller scale, in South America’s peripheries and borders.
Ukraine as a school for drone warfare
Ukraine has become a textbook case for learning how to operate this new weapon and its countermeasures. According to Honcharuk, Ukraine’s advantage is explained by what he calls the “Time Domain”: victory does not come from control of space, but from the speed at which one learns and adapts. While the European defence industry’s innovation cycle runs to roughly three years, Ukraine’s combat-adaptation cycle takes about three weeks to three months, as shown by Honcharuk, in a study published by LSE IDEAS. The case of the Brave1 platform, which connects front-line operators directly with tradespeople, engineers and civilian start-ups, is emblematic: more than 1,600 submissions and 186 grants awarded in its first year of operation alone, as Berthelsen’s reported showed. Ukraine is fighting an opponent that is much larger and stronger; it needs to be more agile, both tactically and strategically.
Beyond the trenches, this is not simply a war of cheap or autonomous weaponry, but a war of accelerated learning. It is this capacity for accelerated learning that tips the balance in Ukraine’s favour. It is neither the hardware nor the software. It is knowledge. That knowledge includes technical and tactical know-how, combined with the ability to adapt quickly to the demands of war.The essential piece in this process is the human being, not the machine.
An institutional research report, Crime by Drone, built on direct interviews with Ukrainian drone pilots, reaches a conclusion worth quoting in full: “Consultations with drone operators in Ukraine reveal that human expertise remains at the heart of the capability and a vital point of intervention. Engineers, workshop operators, parts suppliers and firmware modifiers are all vital for scaling up the use of drones.” If human expertise is the bottleneck, and not the technology, then the problem for neighbouring countries ceases to be merely one of arms control and becomes one of controlling people.
Who are the veterans of the international brigades and other independent battalions?
What did they learn?
What roles did they hold when they were discharged after one or two years of service?
Where are they going?
Are they returning to their home countries, or moving to new ones? Who is employing them once their contracts serving Ukraine have ended?
There are already signs that the war is creating training opportunities that criminal organisations could exploit. In October 2025, reports indicated that Mexican and Colombian volunteers serving with Ukraine’s International Legion were seeking precisely this kind of training: drone manufacturing, electronic warfare and real-time battlefield coordination, before returning to their home countries and being hired by criminal organisations. Fibre-optic-guided drones have already been found in the hands of Mexican criminal organisations. Social networks such as Instagram, YouTube and X are full of profiles of operators of different nationalities showing their day-to-day life at war and the skills they possess, a portfolio for future hiring.
Doctrine (the way to do in front lines), FPV drone piloting, counter-drone measures, and the ability to adapt parts using 3D printing are now all part of theseactors’ capabilities. This is no longer simply a problem of territorial presence along the Amazon border, in the Chaco, or in the Andes. Increasingly, it is a problem of capacity to confront a new technological reality, with veterans or trained personnel carrying the most modern doctrine for the employment of these means, brought back from a war being fought in Eastern Europe.
In Brazil, evidence is still isolated, but it does exist at least three members of the Comando Vermelho were volunteers in Ukraine to learn war tactics. Recent footage showed a drone-piloting course offered by drug traffickers and caught on camera by the police in Rio de Janeiro. Other footage shows that the Comando Vermelho already uses agricultural drones’ worth approximately R$200,000 (Brazilian reais) to carry up to twenty rifles on trips between different favelas controlled by the faction, avoiding the avenues patrolled by the Military Police, as Julia Farias says in a report for CNN-Brasil.
However, for countries such as Argentina, Chile, Bolivia, Brazil and Peru, there is a further, external factor worth noting. The tightening of US action against drug trafficking and against armed dissident groups of the Revolutionary Armed Forces of Colombia (FARC) and the National Liberation Army (ELN); in Ecuador and Colombia, combined with the use of US Armed Forces in the Caribbean Sea in recent months, will force Transnational Organised Crime to seek alternative routes for its drugs, as well as shelter for its troops and members in neighbouring countries.
In Brazil, in August 2026, the Federal Public Defender’s Office (Defensoria Pública da União) called on the Brazilian government to take urgent measures in response to reports of armed groups allegedly tied to FARC dissidents on indigenous land on the border with Colombia, which suggests that this displacement is already under way. The result affects the Armed Forces, which are required to act as police within the 150-km Border Strip, under Complementary Law 97/1999. Moreover, interagency operations involving security forces are no longer sporadic, but increasingly routine. In short, the deployment of the armed forces in border-strip operations, and in operations alongside other Brazilian state agencies, is now part of everyday life in Brazil. This could increasingly become the reality in neighbouring countries too, as the military capability of Transnational Organised Crime is reinforced by knowledge acquired abroad.
The important difference this time is that those crossing the border may bring technical expertise that was simply not available during the last major wave of displacement in the 20th century.
In short, the war in Ukraine functions, in practice, as a hub for training and the developing and spreading knowledge of drone warfare and counter-drone systems.. But this diffusion does not occur solely through institutional channels directed at allied countries. It is dispersed and has been absorbed by actors linked to Transnational Organised Crime. It is essential to map out who these returning veterans are, and to make positive use of them, whether through professional resettlement programmes, or as consultants to the very institutions of these countries, which will need to adapt to the new reality of drone use for the most varied everyday tasks.
Much of the discussion about the lessons of the war in Ukraine focuses on what conventional armed forces need to change. That is understandable. Ukraine is fighting a high-intensity conventional war. But focusing only on armed forces risks overlooking another important lesson: how quickly non-state actors can absorb military technology, tactics and expertise.















